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MÉDICO DIZ TER VISTO A VIRGEM SAIR DE UM REGATO EM NATIVIDADE

O Jornal Edição 14189 de 29 de dezembro de 1967 - Primeira Matéria

MÉDICO DIZ TER VISTO A VIRGEM SAIR DE UM REGATO EM NATIVIDADE 



De repente, era como se estivesse entrando no ambiente de um mundo extremamente gélido. Então, surgiu uma figura de mulher, com os pés descalços dentro do Regato. Rosto bonito, vestindo hábito cinzento-azulado de tecido grosso. Alta 1 metro e 75 centímetros mais ou menos, guia angular como expressão acolhedora e maternal. A tez era alta, o rosto era longo e ovalado, com as maçãs ligeiramente rosadas. Olhos grandes de cor castanho claro, sendo da mesma cor os cabelos ondulados, estes cobertos com manto do mesmo tecido do vestuário. Os lábios cheios, uma boca pequena e as mãos como se nelas houvesse esfregado uma purpurina dourada. Ouvir sua voz. Guardei suas mensagens. Sinto-me perplexo.
Esse é um trecho do relatório do médico Sebastião Fausto de Faria que por três vezes, nos dias 9 e 17 de maio e 12 de julho deste ano, diz ter visto, no nascer das águas de um regato localizado no curral da Fazenda Coqueiro, de propriedade de sua família na cidade fluminense de Natividade a Estranha Dama que na última aparição lançou lhe a seguinte a seguinte mensagem: "esta água passa por uma cefas, que há milhares de anos caiu de onde eu venho. Quem dela beber, penitenciando-se, conhecerá os milagres da fé e do amor. Não deixe que o meu templo seja incendiado, o templo do meu primeiro símbolo. Os meus símbolos tem vários nomes, sou uma única criatura. Para os céticos em incrédulos eu sou a mensageira das verdades divinas."
O relatório foi entregue ao professor Jurandir Manfredini, psiquiatra de renome que está estudando o caso.


A PRIMEIRA APARIÇÃO
Foi o próprio médico Fausto de Faria quem narrou todo o estranho caso dá estranha "Dama de Natividade":
Tudo começou no dia 9 de maio deste ano. Nesta tarde eu me encontrava na fazenda da propriedade de minha família, no lugar denominado Coqueiro distante 6 km de Natividade, cidade no extremo norte Fluminense. Fora ali em companhia do fazendeiro Waldir Carvalho inspecionar a construção de um rego que levaria água de um pequeno regato para o curral, no qual trabalhavam vários colonos entre os quais o meu administrador, Jeronimo Zuza. Em todo momento, só, perto de uma moita de bambu, na encosta do morro, comecei a sentir um frio estranho. Como estava sem camisa, devido ao calor, pensei num resfriado repentino. Agachei-me junto ao regato e passei lavar as mãos, quando, de súbito, vi na minha frente, a distância de menos de dois metros, de pé dentro da água, com os pés descalços uma figura de mulher: As mãos juntas ao colo e os pés eram dourados. Preso de violenta emoção, procurei levantar-me, mas antes ouve nitidamente: "Não se assuste. Volte!"

A PRINCÍPIO, ALUCINAÇÃO
Não sei como sair dali, prosseguiu o Dr Fausto, visivelmente emocionado quando se lembra da estranha visão. O resto do dia e durante à noite, passei sem conseguir dormir, sobressaltado. Mergulhei em pensamentos, tentando uma explicação. Sem dúvida eu tive uma alucinação. A primeira em toda minha vida. Mas por quê? Não cometera nenhum uma extravagância de alimentação ou bebida. Não me sentia doente ou febril, nem estava sobre ação de qualquer medicamento. Nada me afligia.
No dia seguinte resolvi consultar o Dr Jurandir Manfredini, na Casa de Saúde Dr Eiras, em Botafogo. Atenciosamente e tranquilizando-me ele concluiu que eu tiver é de fato uma alucinação de ordem afetiva, passageira, sem motivos para preocupações. Contei os fatos aos meus amigos José Frazão Figueiredo, Osvaldo de Souza Pereira, meus vizinhos João Novaes Ivo Coutinho e ao meu sobrinho José Carlos Coelho.


MAS VEIO A SEGUNDA APARIÇÃO
No dia 17 de maio, à tarde, oito dias depois, voltei a fazenda. Não era meu propósito ir ao local da alucinação. Desejava fazer, em companhia da minha senhora, talvez, confesso, levado pelo medo. Todavia, prossegue, com a chegada do fazendeiro Anir Silva, resolvi-lhe mostrar as obras do curral. Acompanhado do meu administrador chegamos ao local e não tardou eu senti a mesma sensação de frio da vez anterior. Assustado chamei atenção de ambos, mas eles, ao contrário, disseram que estava fazendo muito calor... Olhei o regato e vi no mesmo lugar a mesma mulher, na mesma postura com rosto voltado internamente para mim. Observei então que a figura em carne e osso era de uma mulher de 40 a 45 anos com os olhos bonitos, fixos em mim. Mas quando Jerônimo (o administrador) entrou na água, ela desapareceu. Vendo me agitadíssimo, Anir levou-me de volta à cidade. Daquela noite em diante, a notícia se espalhou por todos os cantos de Natividade.
Dias depois, voltei a consultar-me com o professor Manfredini. Após uma série de exames, inclusive na análise, afirmou-me que nada descobrira, que eu não apresentava a menor instabilidade mental e que meu caso era realmente extraordinário e curioso. Mas pediu-me que não mais o local da aparição.
Mesmo assim resolvi ir. No dia 12 de junho, aceitei que o dr Walter Novas, médico de Natividade me acompanhasse. Combinamos que somente eu ele e minha senhora iríamos ao local. Mas o senhor Valdir Carvalho também quis me acompanhar. No curral, onde o Dr Walter se demorou, juntaram-se a nós administrador Jerônimo e o fazendeiro Bartolomeu Barra, que regressava de sua propriedade vizinha. Ao aproximar-me do local, o mesmo frio, dessa feita mais intenso, forte e crescente me envolveu. A figura da mulher, repentinamente apareceu no mesmo lugar. Nem minha senhora nem dr Walter a viram. Dei um passo à frente e perguntei: Quem é a senhora? De onde vem? A resposta não tardou.
"Os meus símbolos têm vários nomes, mas eu sou uma única criatura. Para os céticos e incrédulos eu sou a Mensageira das verdades divinas."
- Abobadíssimo, prossegue o dr Fausto de Faria, tirei do bolso uma caneta e um pequeno bloco que levava comigo e comecei a escrever trêmulo e apressadamente o que ela me dizia em ritmo de ditado, uma voz grave, bem feminina, no português bem brasileiro: - "Essa água passa por uma cefas que há muitos anos caiu de onde eu venho."
- Cefas? Ouvir a palavra "cefas" levantei a cabeça em sinal de indagação porque não conheci o vocábulo.
- C-E-F-A-S, - E ela soletrou a palavra prosseguindo: "Quem dela beber, penitenciando-se, conhecerá os milagres da fé e do amor. Não deixe que meu tempo seja incendiado, templo do meu primeiro símbolo".
Mas eu? Incendiá-lo? - perguntei. Ela concluiu a frase sem me responder: - "Apanha estas cefas de ferro, que o Brasil é muito rico. Guarde-a íntegra, em Natividade, e todos os anos traga para ser colocada nesta água. Volte a sua vida e ao seu destino. Põe as mãos e assim como estão as minhas, dentro da água, junto aos meus pés".


A UM METRO DA DAMA
- A última frase - conta o dr Fausto - ela o fez esboçando pela primeira vez um sorriso, que me pareceu de despedida. Ante a necessidade de ter que me chegar perto dela, minha emoção chegou auge. Largando a caneta e o bloco caminhei para o regato, junto a ela, podendo vê-la a distância de um metro. Não era transparente, nem estava no único plano. Tinha todas as dimensões. Não era uma estátua, não estava inerte. Seu rosto e seu olhar que me acompanhavam a todo o tempo eram de uma pessoa viva. Sabia que não estava sonhando e que não me encontrava em êxtase. Sabia que atrás de mim se encontrava pessoas humanas e que a minha frente estavam a figura sobrenatural. Tudo me parecia bem nítido. A tez bem alta com as maçãs do rosto ligeiramente rosadas, o rosto longo ovalado, os olhos, grandes, vivos, bem afastado um do outro. Quando mergulhei minhas mãos dentro da água, ela desapareceu.


COM A PEDRA PRETA NAS MÃOS
- Percebi então - prosseguiu o dr Fausto de Faria - que todos os presentes estavam o meu redor. A perplexidade era geral. Na palma da minha mão direita estava uma pedra preta formato estranho e reluzente, que a princípio me pareceu ser de ouro. Minha senhora chorava. Os outros, olhos esbugalhados. Valdir foi o primeiro a pegar a pedra. Segurando-a disse que estava muito quente. Apanhei o bloco de papel, tentando decifrar minha própria caligrafia. Ninguém conhecia o significado da palavra "cefas". Estupefatos, fomos para casa. Vários dicionários foram consultados até que no Lelo ou Universal, todos viram o significado da palavra "cefas". Todos pegavam na pedra e discutiram aparição da estranha mulher. Todos eram unânimes em afirmar que se tratava de Nossa Senhora.
- "Não peço a ninguém para crer. Apenas confirmo com todas as forças de minha consciência que os testemunha aí pronto a figura que vi é a interpretação que dou a primeira frase da mensagem e a palavra "cefas", tudo me faz crer que se trata de uma aparição de Nossa Senhora. A mensagem é enigmática. A pedra é misteriosa. Também não encontro explicação para aparição da que naquele local, nem muito menos para a minha presença nesses fenômenos. Estou apenas me habituando a perplexidade que tudo isso me causou."