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"NÃO DEIXE QUE MEU TEMPLO SEJA INCENDIADO"

"NÃO DEIXE QUE MEU TEMPLO SEJA INCENDIADO"
Jornal TRIBUNA DA MATA, ano 1, número 10, de 14 de janeiro de 1968, Cataguases MG


Estas palavras vão suscitar debates, indagações e pesquisa do mundo inteiro - "TRIBUNA DA MATA", em furo de reportagem, ouviu em Natividade o protagonista das aparições e descreve para os leitores a notícia do ano.
Na última semana do ano passado, vamos abalados pela notícia de que a Virgem Santíssima teria aparecido por três vezes em Natividade, antiga Natividade do Carangola, Estado do Rio. As informações mais impressionantes que registravam assunto em maio do ano passado, justamente no mês em que comemorava o cinquentenário das aparições de Fátima, em Portugal e mês consagrado, no mundo inteiro ao culto de Maria.


"Tribuna" presente em Natividade.
Numa tentativa de colher melhores informes para seus leitores, o nosso jornal deslocou-se, logo em seguida para aquela cidade vizinha, onde, a impressionante narrativa do dr Fausto de Faria e Souza, em sua residência, a Rua Doutor Norberto Marques n. 8, na mesma varanda onde está exposta ao povo a pedra que ele veio as mãos, após a última aparição.
Eis os fatos:
No dia 9 de maio do ano passado, inspecionando as terras que havia adquirido em nome de seu filho Roberto e anexos a sua enorme fazenda de 600 alqueires o dr Fausto distanciou-se pouco de seu administrador, Jerônimo, para ir beber, no regato próximo, um pouco d'água. Quando levava as mãos, a sua frente, com os pés em cima da água, uma figura de mulher, mãos postas, olhava-o fixamente. Assustado com aquela aparição repentina, o doutor Fausto fugiu da li, apesar do chamamento: "Não se assuste, volte".
Profundamente impressionado, mesmo, segundo seu próprio relato, doutor chegou a consultar-se com o especialista carioca Professor Manfredini, sobre a possibilidade de um esgotamento nervoso. Por insistência do professor, único, então a saber do que se passava, o dr Fausto voltou, no 17 ainda de maio, ao mesmo lugar. Outra vez em companhia de Jerônimo, e outra vez, a mesma cena e a mesma visão. Jerônimo não sabendo do que se passava e nada havendo, ao procurar mostrar ao seu patrão por onde deveria passar uma divisa, entrou dentro do córrego, com o que se desfez a visão.
Incrédulo e aterrado, o dr Fausto já esta altura contara o caso aí seus familiares e amigos. Voltará ao professor Manfredini que para tranquilizá-lo, submetera-o a narcoses. Insistia o conhecido especialista em que o dr Fausto deveria voltar ao mesmo lugar, depois de um mês. O dr Fausto só teve coragem para fazer isso, dois meses após, dia 12 de julho e, levou consigo sua senhora, o dr Walter Novaes, Waldir Carvalho e Bartolomeu Barra, e os dois últimos fazendeiros vizinhos e ainda o administrador Jerônimo.
No mesmo lugar das aparições anteriores, envolvido pelo mesmo frio quando das outras duas visões (uma espécie de frio de ar refrigerado, explica o protagonista), teve novamente a mesma visão, apesar de seus companheiros nada a verem. Uma bela Senhora de meia-idade com a altura por volta de 1,65m, vestida com o hábito de tecido bem grosso, as mãos e pés dourados, descalça a sua frente, no regato.


OS DIALOGOS
Dr Fausto: está ali, Walter, você está vendo?
Dr Walter: só você vê, pergunte quem é?
Dr Fausto: quem é a senhora?
Senhora: "os meus símbolos têm vários nomes, mas eu sou uma única criatura. Para os céticos e incrédulos, eu sou a mensageira das verdades divinas".
Dr Fausto: me dê um papel Walter. (o amigo já lhe estendia o bloco de receitas, mas o dr Fausto pegava a sua própria caneta e punha-se a escrever, transformado, em um bloco de rascunho que trazia consigo).
Senhora: ‘‘Não precisa escrever, pois não se esquecerá. Esta água passar por uma cefas que há muitos anos caiu de onde eu venho’’.
Dr Fausto: cefas?
Senhora: "cefas, C-e-f-a-s. Quem dela beber, penitenciando-se, conhecerá os milagres da fé e do amor. Não deixe que meu templo seja incendiado".
Dr Fausto: eu, incendiar o templo?
Senhora: "O templo do meu primeiro símbolo. Apanhe esta cefas de ferro, minério do qual brasil é muito rico. Guarde-a, integra, em Natividade, e todos os anos traga-a para ser colocada nesta água. Volte a sua vida e ao seu destino. Ponha as mãos, assim, como estão as minhas, dentro d’água, junto aos meus pés".
O dr Fausto fez como mandava a Senhora, e, jogando para o lado o papel e caneta, cambaleando, atônito aproximou-se de onde estava a visão e, ajoelhando-se quase tocando com o rosto a veste da Senhora pôs as mãos dentro d’água, como Ela pediu e desfez-se a visão. Separando as mãos para levantar-se, gritou para seu amigo que Ela tinha ido embora. Próximo a ele, a esta altura, o dr Walter indagou:
 Que isto em suas mãos?
Nas mãos do dr fausto havia ficado uma linda pedra preta, brilhante, parecendo ter sido polida. Waldir Carvalho foi logo pegando-a e notou, de pronto, o seu calor. Estava quente.
Só seis meses depois do acontecimento foi que a história do dr fausto chegou a televisão e ganhou os jornais do pais inteiro. Em Natividade, no entanto, todos sabiam do caso e o contam até hoje.
Só posteriormente foi que dr Fausto veio saber que "cefas" provém do aramaico, língua falada pelos conterrâneos de Jesus Cristo, e querendo significar ‘‘pedra’’. E a pedra deixada, devidamente analisada, é conhecida como hematita, minério de ferro do Vale do Rio Doce, um lugar com esse nome, face à abundancia do minério. Em Natividade, entretanto, nuca se ouviu falar da existência de algum minério de ferro daquele tipo e, mesmo agora, com as muitas buscas realizadas, não foi encontrado qualquer sinal de hematita.
Da mensagem, além da questão relativa à água que sempre deixada como uma viabilidade ao homem para a renovação da fé, o que se destaca é o trecho com que abrimos a nossa reportagem: "Não deixe que meu templo seja incendiado, o templo do meu primeiro símbolo".
Se a visão é a Virgem Santíssima, como se alastra a conclusão popular, sua aparição e seu significado, ou a interpretação de sua mensagem devem ser entregues aos cuidados dos teólogos. Não nos cumpre nada mais do que registrar o acontecimento. Gostaríamos de concluir, entretanto, chamando a atenção para a coincidência anotadas: em 1967, ano deste acontecimento, comemorava-se, também, em maio, o cinquentenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, em Portugal, e no Brasil, em outubro, comemoramos os 250 anos de Nossa Senhora Aparecida. Outra estranha coincidência é o fato de a cidade fluminense escolhida ter sido Natividade, palavra empregada mais usualmente para referir-se ao nascimento de Jesus, e ainda Natividade, tão somente, há pouco tempo e, mais, as duas primeiras aparições de Maria.


QUEM É O DR FAUSTO
O dr Fausto de Faria e Souza recebeu-nos com um largo sorriso, quando soube que éramos de Cataguases. Seu pai, o dr Francisco de Faria e Souza, foi delegado regional em nossa terra, e aos doze anos de idade o dr Fausto estudou no Grupo Escolar Cel. Vieira, onde foi aluno de D. Lucia. Contou-nos passagens de sua infância em Cataguases, adiantando que um de seus irmãos, o dr Gentil Guilherme Faria e Souza, hoje Desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerias, tinha sido Juiz de Direito, por volta de 1945-1946.
Médico, o nosso entrevistado deixou a profissão para estudar direito, dedicando-se à advocacia até há pouco tempo, quando aposentou-se como Consultor-Jurídico da Secretaria da Segurança do Estado do Rio. Atraído pela política, foi deputado por duas vezes, abandonando-a, quando dela e de suas artimanhas se cansou. Agora, na altura de seus cinquenta e cinco anos, dedica-se ao trabalho em sua enorme propriedade. Estimado pelos de sua terra, o dr Fuasto é um homem respeitado e admirado em Natividade, onde há mesmo uma rua com seu nome.
E foi assim, com toda essa tranquilidade de homem realizado que nos contou os fatos que se passaram com ele. Acrescenta que lotou muito para divulgar os fatos, tendo ouvido para tanto várias autoridades eclesiásticas. Cita Frei Patrício, o beneditino que lhe deu assistência por todo esse tempo, como um dos que insistiram pela propagação do caso, pois o conhecimento público poderia ajudar o seu entendimento.
Homem totalmente acessível, o dr Fausto não se cansa de narrar a todos os que o procuram os fatos que o envolveram. Mandou abrir visitação pública toda a área da fazenda do Coqueiro, onde se deram os fatos; neste local construiu um nicho, onde será colocada a imagem de bronze da visão que teve, imagem essa, em tamanho natural. A imagem representa a Senhora da visão tal como foi por ele vista. Há também o retrato falado do rosto da Senhora, feito por técnicos especializados do Rio de Janeiro, segundo dr Fausto, está perfeito, ou seja, retrata fielmente o que ele viu. No local das aparições a água pode ser colhida à vontade, e adiantamos para nossos leitores que não vimos, durante todo o tempo, qualquer interesse de nenhum de exploração comercial. A Imagem em tamanho natural ainda não está fundida em bronze e o retrato falado do rosto encontra-se na casa do dr Fausto, assim, também, aí se encontra, em exposição pública, a pedra recebida.


O ROTEIRO DE VIAGEM
Para aqueles que quiserem ir até o local das aparições vamos salientar que a viagem é curta e apresenta muitos atrativos. Cobrimos todo o trajeto em 2 horas e 20 minutos, pois Cataguases até a Fazenda são 152 kms. Em Muriaé, naquele trevo de entrada, segue-se à direita pela estrada de Itaperuna e 27 kms, à frente, ainda no asfalto segue-se, à esquerda para Raposo, aonde se chega depois de nove kms. De Raposo à Natividade são 23 kms, e de Natividade à Fazenda somente 6 kms.



PALAVRA DA IGREJA
Apesar de se falarem em milagres e curas, a Igreja não se manifestou ainda. Em casos semelhantes à sua ação se reveste de muita cautela e as investigações se fazem com prudência e em sigilo. Tal reserva é muito justa e muito louvável, pois vivemos uma época conturbada de revelações e o homem busca sempre o preternatural para satisfaze-lo.