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NOSSA SENHORA APARECEU NO ESTADO DO RIO

NOSSA SENHORA APARECEU NO ESTADO DO RIO
REVISTA O CRUZEIRO - Edição nº 006 - 10 de janeiro de 1968
Reportagem de Hélio Passos


Eu vi Nossa Senhora

Esta é uma história para se ler e meditar. Uma história de fenômenos sobrenaturais, vivida por um homem que nunca foi dado a pieguices ou beatérios. Um homem que, ao se ver objeto do que, daqui por diante, chamaremos de "aparições", tomou imediatamente uma providência: Procurar o psiquiatra e submeter-se a uma análise em profundidade. O psiquiatra, professor Jurandyr Manfredini, diz que o "revirou pelo avesso" e pode atestar que ele goza de perfeitas condições de saúde mental. Esta é a história que nos contou o dr Sebastião Fausto Barreira de Faria, médico, advogado, consultor jurídico aposentado da secretaria de segurança do Estado do Rio e ex-deputado a Assembleia Legislativa Fluminense. Aconteceu em Natividade, local situado no extremo Norte Fluminense, no ano da Graça de 1967.
55 anos, estatura média, físico bem proporcionado, casado, com três filhos homens, o dr Fausto de Faria recebeu o repórter em sua casa de Natividade, uma casa aqui nesses últimos meses, está sempre cheia de gente, vindas de vários estados do Brasil, as pessoas ou procuram cada vez em maior número, para vê-lo. As frases lhe saem fáceis e, em sua narração, um tom de sinceridade e objetividade que o repórter não pode deixar de anotar, a bem da verdade. Com a palavra Doutor Fausto.




Uma sensação de frio
'No dia 9 de maio de 1967, eu me encontrava na fazenda de propriedade de minha família, situada no lugar denominado 'Coqueiro', distante 6 km de Natividade. Fora ali, em companhia de Waldir Carvalho, fazendeiro, inspecionar a construção de um rego que levaria água de um pequeno regato para o curral e na qual trabalhavam vários colonos, dirigido pelo seu administrador Jerônimo Zuza. Em dado momento, estando só, perto de uma Moita de Bambu na encosta do Morro, comecei a sentir um frio estranho. Como estava sem camisa, devido ao calor, pensei no resfriado repentino. Agachei- me a seguir, junto ao regato que desce das montanhas, e passei a lavar as mãos, quanto, de súbito, vi, a minha frente a distância de menos de dois metros, de pé dentro da água, com os pés descalços, uma figura de mulher, vestida, de rosto bonito e olhos grandes fixos em mim, numa expressão acolhedora e maternal. Notei, logo, um pormenor impressionante: As mãos juntas ao colo e os pés eram Dourados. Preso de violenta emoção, procurei levantar-me e fugir, não antes de ouvi-la dizer distintamente, com ligeiro aceno da mão direita: 'Não se assuste, volte!' Não sei como sair dali nem como passei pelo Waldir e pelos outros; o fato é que cheguei ao curral em estado de verdadeiro Pânico. Eram 16:40h. Aguardei Waldir por mais alguns minutos e, disfarçando a emoção, regressei a cidade, sem nada contar, nem mesmo a minha mulher.
O resto do dia e durante toda a noite, sem conseguir dormir, sobressaltado, mergulho em pensamentos, tentando uma explicação para aquela visão perfeita, nítida, inconfundível, que não me sai da mente. Sem dúvida, eu tivera uma Alucinação, a primeira em toda minha vida. Mas, por quê?
O dr Fausto não encontrando explicação para o seu caso, resolveu ir ao Rio procurar um psiquiatra. Contou o caso a sua mulher e entrou em contato com o professor Jurandyr Manfredini, que o recebeu na sua casa de saúde dr Eiras, em Botafogo, ouviu sua história, e tranquilizou-o, afirmando que ele tiver era de fato, uma alucinação de ordem afetiva, lancheira sem motivos para preocupações. Mas voltemos a sua narrativa.




Oito dias depois
A 17 de Maio, de tarde, fui a Fazenda. Não era meu propósito ir ao local da alucinação. Desejava fazê-lo em companhia da minha senhora, talvez levado, confesso, pelo medo de ir lá sozinho. Contudo, com a chegada de Anir Silva, fazendeiro, resolvi mostrar-lhe as obras do rego. Acompanhados do meu administrador, chegamos ao local e não tardou que a mesma sensação de frio da vez anterior envolvesse, como se eu tivesse entrado em um ambiente refrigerado. Assustado, chamei-lhes atenção, mas ambos responderão que estava fazendo até calor. Incontinente, ao olhar para o regato, no mesmo lugar, a mesmíssima mulher, na mesma postura com o mesmo rosto voltado ternamente para mim. Preocupei-me em chamar atenção dos meus acompanhantes para o que eu estava vendo da maneira mais nítida possível. Tomados de surpresa e de espanto, ficaram olhando para mim e para onde eu lhes apontava. Em vão. Observei, então, que a figura, em carne osso, era uma mulher de 40 a 45 anos de idade, esguia, usando uma espécie de hábito de tecido grosso, de cor cinza azulado claro. Com os olhos bonitos, grandes, fixo em mim, desapareceu exatamente no momento em que Jerônimo entrava na água, quase encostando nela. Ainda sobre impacto daquela visão assombrosa, eu descontei o que ocorrerá naquele local oito dias antes, pedindo-lhes nada contassem.
Aí a notícia se espalhou. Dr Fausto escreveu ao professor Manfredini, sobre a repetição do fenômeno e confessou ele o medo e insegurança que o envolveram. Sem poder precisar as datas ele conta que voltou lá ainda duas vezes, sempre acompanhado. Uma vez foi com sua esposa. Nada aconteceu.


E continua:

No dia 5 de julho, voltei ao professor Manfredini, que me submeteu a novo e prolongado interrogatório e sugeriu anarco analise como meio eficiente de elucidar o caso. A primeira foi feita no dia 8 e a segunda no dia 13, ambas precedidos e seguidas de interrogatório. O narcótico empregado foi o nestonal. Afirmou-me que nada descobrira, que eu não apresentava a menor instabilidade mental e que meu caso era realmente extraordinário e curioso. Pediu-me que eu não voltasse tão cedo ao local, e, pela primeira vez, em aparições sobrenaturais, citando exemplo de Nossa Senhora de Fátima, cujo Santuário ele visitará.
Depois disso, narra o dr Fausto que esteve com um psicólogo do convento de Santo Antônio, Frei Patrício, que relatou tudo ao Padre Moacir Peçanha, vigário de Natividade. Mas seu drama interior aumentava. Ou estava ficando louco ou realmente vira algo sobrenatural. A primeira hipótese era difícil configuração, foi sempre foram um homem de equilíbrio emocional perfeito e não havia, sua família, um só caso de loucura. Por outro lado, recusava-se a aceitar ter visto um ser sobrenatural, pois sua religiosidade sempre fora assaltada por dúvidas e descrenças (jamais conheci o espiritismo ou acreditei em forças ditas ocultas, nunca me julguei homem perfeito nem puro).



A mensagem
No dia 12 de julho, sua mulher, o dr Walter Novaes, médico em Natividade, Waldir Carvalho, do administrador Jerônimo e o fazendeiro Bartolomeu Barra, o dr Fausto retornaram ao local.
"... a princípio me mantive a certa distância, procurando disfarçar certa sensação de medo e vergonha que aquela situação me despertava. Depois, aproximando-me, não tardou que o mesmo frio, desta feita mais forte e Crescente, nem vou ver se, a ponto de ter eu chamado atenção do dr Walter. Minha senhora, muito aflita, dizia que só eu via e que perguntar se o que ela queria. Dei uns passos a frente e perguntei, engasgado: Quem é a senhora?" Ela começou a falar. Emocionado, pedir um papel ao dr Walter, ao mesmo tempo que me lembrava de trazer comigo, no bolso externo da camisa, esferográfica e um pequeno bloco de bloco de cédulas eleitorais grampeadas.
Neste momento, não perdendo de vista a figura, ouvir quando ela disse: "Não é preciso escrever, pois não se esquecerá". Abobadíssimo, tirei do bolso a caneta e o pequeno bloco e comecei a escrever, trêmulo e apressadamente, o que a figura me dizia, em ritmo de ditado, uma voz grave bem feminina e num português bem brasileiro. Ao ouvir a palavra cefas, levantei a cabeça em sinal de indagação, ou porque não conhecesse o vocábulo ou porque não soubesse escrevê-lo, e perguntei: "cefas?" e ela soletrou pausadamente: "C-E-F-A-S".
Ouvir a frase "Não deixe que o meu templo seja incendiado", e não atinando com seu significado eu exclamei: "Mas, eu! incendiado!" ela concluiu a frase sem responder. Auditar a frase "volte a sua vida e ao seu destino" ela o fez abençoando pela primeira vez um sorriso, que me pareceu até de despedida. Pediu-me a seguir para que eu juntasse as mãos como estavam as delas e a pusesse dentro da água, junto a seus pés. Ante a necessidade de ter que me aproximar dela, minha emoção chegou ao auge. Para juntar as mãos, larguei a caneta e o bloco, encaminhei para o regato, junto a ela, podendo vê-la a distância de um metro, no máximo. Não era transparente, nem estava no único plano. Tinha todas as dimensões. Não era uma estátua, não estava inerte. Seu rosto e seu olhar, que me acompanhavam a todo tempo, eram de uma pessoa viva. Minha consciência, não obstante a emoção nunca experimentada, era perfeita. Sabia que não estava sonhando e que não me encontrava em êxtase. Sabia que atrás de mim se encontravam pessoas humanas e que a minha frente estava uma figura sobrenatural. Tudo me parecia nítido. A tez bem alva, com as maçãs do rosto ligeiramente rosadas; o rosto longo ovalado; os olhos grandes, vivos, afastados um do outro, castanho-claro, sendo da mesma cor os cabelos ondulados, cobertos por um manto do mesmo tecido do vestuário e caiu atrás dos ombros. Os lábios cheios numa boca pequena. As mãos eram como nelas houvessem sido esfregado uma purpurina dourada. Agachei-me, sentindo um pé molhado, vendo aqueles pés dourados a menos de meio metro, transparecidos na água corrente, rasa e límpida, e o vestuário quase a tocar no rosto.




Quando acabei de mergulhar as mãos, ela desapareceu. Exclamei: "Walter, ela desapareceu! " fui retirando as mãos da água, abrindo-as naturalmente, sem nada sentir, pois não tinha a menor noção do significado daquele gesto. Percebi então que tanto o dr Walter como minha senhora e os outros, Waldir, Berto e Jerônimo, estavam ao meu redor. A perplexidade foi geral. Na palma da minha mão direita estava uma pedra preta, de formato estranho reluzente, a princípio, apareceu ouro. Minha senhora, chorava. Waldir, Berto e Jerônimo, muito brancos, de olhos esbugalhados. Calmo, embora lívido, estava o dr Walter. Waldir foi o primeiro a pegar a pedra, dizendo que estava quente. Soltando expressões de estupefação. Minha senhora, quebrou o silêncio: "E o que foi que ela disse? " perguntei pelo bloco e o dr Walter me exibiu, informando que o apanhar no chão. Trêmulo e ofegante, fui procurando ler os dizeres na caligrafia apressada. As frases soavam bonitas, mas tudo nos parecia enigmático. Ninguém conhecia o significado da palavra cefas. Lembro-me de ter ouvido, minha senhora, falar qualquer coisa de Nossa Senhora. Sentia-me estado de verdadeiro colapso. O Berto, na hora, que o fenômeno se iniciará às 15:05 horas. Regressamos a Natividade, onde a notícia logo explodiu. Minha casa se encheu de gente. Vários dicionários foram trazidos até que, no Lelo Universal, todos viram o significado da palavra cefas.'
Nota do repórter. O dr Fausto não explicou o sentido da palavra. Fomos também ao dicionário. Lá está, dicionário enciclopédia UTEHA, Vol III: "Cefas ou Kefas". Nome aramaico de um dos discípulos de Jesus Cristo; seu significado é pedra; foi logo substituído pelo grego Petrus, Pedro'.
Continuo o dr Fausto: "Eu continuava confuso. No dia seguinte, o Padre Moacir me pediu que fosse conversar com ele". Escrever logo ao professor Manfredini e Alf Patrício. Os dias foram se passando. As romarias aumentando.
Levei a pedra ao Rio. Mostrei a e contei tudo o professor Manfredini e ao Frei Patrício. O primeiro, confirmando minha absoluta sanidade mental e chegando a dizer a minha senhora que me havia virado pelo avesso, confessou-se plexo. Pediu-me relatório minucioso. O segundo mostrou-se reservado, embora deixasse transparecer uma espécie de íntima satisfação. Levei a pedra a Casa Stern, tempo um perito afirmado que se tratava de uma mostra de hematita, minério de ferro. Do ministério de Minas e Energia obtive um atestado, de que se trata, realmente, de uma mostra de hematita especular, minério de ferro".
Depois de relatar que, juntamente com a pintora Iracy do Nascimento e Silva, conseguiu, em 21 dias de trabalho, um retrato quase perfeito da aparição, e de contar como mandou erigir um santuário todo de pedra no local, dr Fausto que já voltou aquele lugar quase 50 vezes, nada tendo visto ou sentido, a não ser uma natural emoção. Enquanto isso, Natividade vai-se transformando em centro de peregrinações religiosas, a casa do dr Fausto vive cheia de gente e a domingos em que mais de mil carros te mandam o local onde se deram as aparições. Mas ele concluiu: "Não peço a ninguém para crer. Apenas confirmo, com todas as forças da minha consciência, o que os testemunhas. Tudo me faz crer aceitar que se trata de uma aparição de Nossa Senhora a mensagem enigmática. A pedra é um mistério. Também não encontro explicação para aparição naquele local nem muito menos para minha presença nesses fenômenos".

O que disse as aparições
Este é o texto integral da mensagem que aparição ditou ao doutor Fausto no dia 12 de julho:
"Os meus símbolos tem vários nomes, mas sou uma única criatura.
Para os céticos incrédulos, eu sou a mensageira das verdades divinas.
Esta água passa por uma cefas que há muitos anos caiu de onde eu venho.
Quem dera beber, penitenciando-se, conhecerá os milagres da fé e do amor. Outra linha não deixe que o meu templo seja incendiado, o Templo dos Meus Primeiros símbolos.
Apanha esta cefas de ferro, minério do qual o Brasil é muito rico.
Guarde a, integra, em Natividade e todos os anos traga para ser colocada nesta água.
Volte a sua vida e ao seu destino.
Põe as mãos, assim, como estão as minhas, dentro da água, junto aos meus pés".