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O MISTÉRIO DE NATIVIDADE

O MISTÉRIO DE NATIVIDADE 
Jornal do Brasil de 08 de fevereiro de 1968
Heraldo Dias, da sucursal de Niterói, fotos de Octales com Sales 




Mesmo estando acompanhado, somente Fausto percebeu aparição. A figura de uma mulher lhe teria entregue uma mensagem e uma pedra - uma hematita, minério de ferro, pedindo que a trouxesse anualmente ao local. Isto deve acontecer no próximo dia 12 de julho, quando se espera uma romaria sem precedentes.
A mensagem é considerada enigmática pelo Cônego Emílio Silva, da PUC. Um psiquiatra o Dr Jurandir Manfredini, submeter o ex-deputado a narco-análise confirmando sua sanidade mental, mas sem poder, ainda, explicar o que aconteceu. A Igreja não se pronunciou, mas o Bispo de Campos, D. Antônio de Castro Mayer, já recebeu o completo relatório sobre o assunto.


COMO FOI
O médico e advogado Sebastião Fausto de Faria diz que no dia 9 de maio de 1967, às 16h35m, estava examinando um rego de água no sítio dos Coqueiros, sentir um frio estranho - estava sem camisa -, e percebeu, sobre a água, "uma mulher bonita, de mãos douradas".
O sr Fausto de Faria fez questão de explicar, sempre, que viu uma mulher bonita que lhe passou uma mensagem e uma pedra, pedindo que a trouxesse anualmente ao mesmo local, "mas se é uma santa, N.S. de Natividade", como se pretende, ele não pode afirmar.
A primeira aparição é relatada pelo ex-deputado:
"Estava no meu sítio, quando eu resolvi ir examinar um rego que servia a um curral. Estava junto um local onde a água se espraiava, e ali eu examinava possibilidade de um pequeno represamento para disciplinar a água, quando comecei a sentir um frio estranho. Estava sem camisa, pois calor era excessivo, e cheguei mesmo a pensar que estivesse resfriado.
 Abaixei-me então sobre a água, não me lembro bem se para beber ou lavar o rosto, quando vi logo a minha frente, aquela mulher bonita, de mãos douradas, uma sobre a outra, e descalça. Usava o manto ou hábito, parecia azulado. Fui tomado de um súbito pânico e me afastei correndo do local. Fui parar no curral, a uns 100 metros, e senti o coração acelerado. Voltando a calma, cientifiquei-me, conscientemente, de que realmente tinha visto alguma coisa."
Estava no sítio, na ocasião, conforme disse, o zelador, sr Jerônimo Zuza, e um fazendeiro meu amigo, sr Valdir Carvalho. Não chegou a comentar com eles nada sobre o caso, tendo, inclusive dirigido automóvel até a cidade. Não conseguiu dormir à noite, quando resolveu procurar um psiquiatra, na Guanabara.

NOVAMENTE
No dia 17 de junho de 1967, em companhia de um ex-proprietário do sítio, fazendeiro Almir Silva, e do zelador Jerônimos Zuza, voltou ao local.
Sentiu, frio e indagou se os companheiros sentiam a mesma coisa. A resposta foi negativa.
- Foi quando vi, novamente, a mesma mulher, ali sobre a água. Senti que ela olhava para mim, ignorando completamente os outros.
Chamou atenção dos outros, mas eles nada conseguiram ver e tendo um deles, Jerônimo, se aproximado da água, quando a mulher desapareceu. Desta vez não conseguiu voltar dirigindo, tal era o pânico, os companheiros sentiam a mesma coisa a resposta foi negativa.


NARCO-ANLÁLISE
Disse, então, ter procurado, novamente, o dr Manfredini, para relatar o caso, sendo recebido com surpresa.
Contou que foi submetido a duas sessões de narco-análise- recebeu injeções de lesdonal, permanecendo entre a vigília e o sono, num estado de semi-inconsciência- para responder às perguntas do médico, que buscava uma explicação para o fenômeno. Disse que o médico o considerou normal, sem nenhuma perturbação psíquica.
Contudo, conforme opinião de psiquiatras, somente uma série de sessões de narco-análise pode oferecer as informações para a explicação do fato, que pode estar retido por mecanismos psicológicos, que não se deixam vencer facilmente. Foi aconselhado, na ocasião, a não voltar ao local.


A PEDRA
No dia 12 de julho de 1967, o sr Fausto de Faria voltou ao local. Desta vez acompanhado pelo zelador Jerônimo Zuza, fazendeiro Bartholomeu Barra, dr Valter Novais, do Posto de Saúde da Cidade, Valdir Carvalho, fazendeiro, e sua mulher, D. Maria Elisa. Repetiu-se a sensação de frio e a consequente aparição, sem que os acompanhantes nada sentissem.
Aparecendo a mulher, insistiram com ele, apesar de não a estarem vendo, que perguntasse quem era. Ela não respondeu, mas começou a falar: "os meus símbolos"..., quando ele se lembrou de anotar o que ela falava. Pediu papel, mas lembrou-se que tinha no bolso um maço de cédulas eleitorais e caneta. Foi quando a mulher falou "Não precisa escrever, porque não se esquecerá". Mesmo assim, ditou a mensagem.
Segundo disse, apenas uma palavra não entendeu bem: cefas (rocha), que a mulher ditou letra por letra. Finda a mensagem, ela disse: "Ponha as mãos assim como estão as minhas, dentro da água, junto a meus pés". Ele obedeceu, e estava com um pé na água e outro fora, com as mãos na posição determinada, quando alguém do grupo se aproximou mais e ela desapareceu. Custou a levantar, quando perceberam que havia em suas mãos um objeto escuro, logo identificado como sendo uma pedra. Na mensagem, a mulher pedia que guardasse ‘"integra, em Natividade, e todos os anos traga-a para ser colocada na água". Depois disto, já voltou ao local várias vezes, e "apesar da emoção que realmente sinto", cessaram as aparições.


MINÉRIO DE FERRO
O sr. Fausto de Faria disse ter trazido a pedra até a Guanabara, onde foi submetida a exame, inicialmente na casa H. Stern. Disseram-lhe ser uma hematita especulas, minério de ferro, com faces brilhantes, semelhantes a espelho, assim como se fosse trabalhada, embora estivesse em estado natural. Mostrou, também, certificado da Divisão de Geologia e Mineralogia do Ministério das Minas e Energia, explicando tratar-se de Minério de ferro.
O minério de ferro não é comum na região, pelo menos ainda não foi encontrado. O proprietário de um hotel em Natividade, sr Licídio Hoffmann, que faz escavações em busca de pedras de valor, no Município, disse já ter encontrado, no outro lado da elevação em cujo sopé está o local da aparição, feldspato e malacacheta, além de grafita, o que leva a crer na existência de cristal de rocha. Mas minério de ferro nunca encontrou por ali.
Quanto a água, da qual não se tem conhecimento oficial de algum exame, apresenta tonalidade tênue de amarelo, como se estivesse misturada a terra. O sr. Fausto citou uma pessoa que já pertenceu a Divisão de Geologia e Mineralogia, que teria examinado a água, atribuindo-lhe propriedades radiativas. Sabe-se, apenas, que o atual rego já foi um ribeirão, onde inclusive se pescava, conforme explicaram pessoas da Cidade.